sábado, 13 de agosto de 2011


(...) Em menos de dez minutos você se lembra de tudo. Você se lembra o motivo ou os motivos que fizeram tudo se perder. E você se lembra que não é culpada. Assim é a vida. Você se lembra que o grande amor da sua vida.  Aquele que você nunca superou, é a pessoa que faz questão de ficar a noite inteira longe de você só porque acha charmoso ficar longe de você e não porque queira ficar. Ele prefere ser descolado do que humano. E você lembra daquela sensação que sentia ao lado dele. Da solidão profunda. E você descobre que ele acha que saudade ou vontade de fazer carinho se resume a uma passada de mão na bunda, ou uma apertada no seu peito. E você percebe que a vida dele, é cheia de coisas bobas e até mesmo triste, com carros que só servem para se esbanjar, filmes onde cunhadas se comem e amigos que ligam na madrugada achando que puteiro pode ser uma opção legal. Em minutos você entende o que e trouxe até aqui, tão longe dele(...) Me senti visitando meu próprio cemitério. Com amigos e amores mortos e enterrados. Pessoas que a gente desenterra após perceber a besteira que fez. Pessoas que lamentam distância, afinal já foram tão importantes e... será que não da para recomeçar tudo de novo e tentar acertar dessa vez? Pessoas que a gente tenta se agarrar para não sentir que a vida caminha para frente, e isso significa, ainda que muito filosoficamente, que um dia vamos morrer. Nossos amigos vão ficando para traz, nossos amores... um dia seremos nós a desaparecer. E uma lição que aprendi é que não vale concertar um carro pela décima vez, é mais fácil comprar um novo. Afinal, eu bem que tentei concertar meu relacionamento com as pessoas e só ganhei mais poses e menos verdades. Ainda que doa deixar pessoas morrerem, se agarrar a elas é viver mal assombrado.